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Como montar o tanque de solução nutritiva: ordem de mistura, EC e pH

Tanque de solução nutritiva com bomba dosadora e galões de 5 litros, incluindo Smart Grow Scale Base A

Boa parte das inconsistências entre uma safra e outra não começa na planta. Começa no tanque. A mesma fórmula, misturada em outra ordem, com outra água ou com o pH ajustado na hora errada, entrega uma solução diferente para a raiz.

Seja um reservatório de 100 litros ou um tanque de 5.000 litros que alimenta a irrigação por três a cinco dias, o processo é o mesmo. Muda só a escala da conta. Este é o passo a passo que usamos e recomendamos.

Antes de começar: conheça a sua água

A água é o primeiro ingrediente da solução, e o mais negligenciado.

  • Meça o EC e o pH da água pura, antes de qualquer produto. Esse é o seu ponto de partida. Água de poço, de rede pública e de osmose reversa partem de lugares muito diferentes.
  • Água de osmose reversa tem EC próximo de zero e quase nenhuma reserva alcalina. É a mais previsível, mas também a que mais oscila de pH depois de regulada.
  • Água de rede ou de poço traz cálcio, magnésio, bicarbonatos e, às vezes, cloro. Isso entra na conta do EC final e no comportamento do pH.
  • Se a fonte mudar entre um ciclo e outro, registre. Água diferente é variável diferente.

Use medidores de EC e pH calibrados. Um medidor fora de calibração faz você corrigir um problema que não existe.

A ordem de mistura

A ordem importa porque alguns elementos, quando se encontram concentrados, reagem entre si e formam precipitados: sais que ficam no fundo do tanque e deixam de chegar à planta. O cálcio, por exemplo, não pode encontrar sulfatos e fosfatos em alta concentração. É por isso que as bases vêm em duas partes, A e B.

1. Água Encha o tanque com a maior parte do volume final. Água em movimento (recirculação ou agitação) ajuda em todas as etapas.

2. Sílica A sílica entra primeiro, logo depois da água. Em concentração alta e com o pH errado, ela pode polimerizar, virar gel e deixar de ser absorvida. Diluída na água antes dos outros produtos, ela se distribui de forma estável. Uma fonte como o Super Shell, que é um silicato de potássio com tecnologia que converte o silício em ácido silícico biodisponível, também funciona como tampão: ajuda a segurar o pH da solução, principalmente com água de osmose.

3. Base A Na Linha Scale, a Base A é o nitrato de cálcio. Adicione e misture bem antes do próximo produto.

4. Base B A solução nutritiva completa, com os demais macro e micronutrientes. Só entra depois que a Base A estiver totalmente diluída. Nunca misture A e B concentrados, nem no mesmo copo medidor.

5. Suplementos Como o Dank Mag (magnésio) e, na floração, o Fat Nug (PK). Adicione um de cada vez, misturando entre eles.

6. Ajuste de pH, sempre por último Cada produto mexe no pH da solução. Ajustar antes de terminar a mistura é ajustar duas vezes. As bases da Linha Scale, por exemplo, abaixam o pH da solução: cada 1 mL por litro de base reduz cerca de 1,5 ponto. Por isso, só meça e corrija o pH com todos os produtos já no tanque.

Como calcular a dose em tanques grandes

O programa de cultivo traz a dose em mL por litro. Para o tanque, a conta é direta:

dose do produto (mL/L) × volume do tanque (L) = quantidade a adicionar (mL)

Em operações grandes, é comum a dose ser medida em litros. Um exemplo com o programa da Linha Scale na semana 1 da floração, em um tanque de 1.000 litros:

Ordem Produto Dose do programa Para 1.000 L
1 Água — 1.000 L
2 Super Shell 2 mL/L 2 L
3 Scale Base A 2 mL/L 2 L
4 Scale Base B 2 mL/L 2 L
5 Dank Mag (magnésio) 2 mL/L 2 L
5 Fat Nug (PK) 2 mL/L 2 L
6 Smart PH Up ou Down conforme a leitura aos poucos

Em um tanque de 5.000 litros, multiplique por cinco: 10 litros de cada produto.

Dose do rótulo x dose do programa. O rótulo traz, por exigência do registro, a dose máxima permitida do produto. O programa de cultivo traz a dose recomendada para cada fase. Use o programa como referência e o rótulo como teto.

Leitura do EC: o que conferir

Com todos os produtos no tanque, meça o EC.

  • Compare com o esperado. Se o EC ficou muito acima ou abaixo do que o programa costuma entregar, revise as quantidades antes de irrigar. Um erro de conta em um tanque de milhares de litros é caro.
  • Lembre do EC da água. Água de rede ou de poço já começa com EC. Ele soma no resultado final.
  • O EC certo é o que a planta consome. Não existe um número único para todas as genéticas e fases. A forma mais segura de ajustar é ler o runoff: dentro da faixa da fase, a planta costuma consumir de 20% a 30% do que entra. Exemplo: entra 1,8, sai 1,4 → a planta está consumindo e a solução está equilibrada. Se a saída sobe acima da entrada sem que isso seja parte da sua estratégia, pode haver acúmulo de sais no substrato.

Ajuste de pH sem ficar corrigindo o dia todo

  • Adicione o regulador aos poucos, misture, espere a solução estabilizar e só então meça de novo. Reguladores concentrados fazem efeito com pouco produto, e é fácil passar do ponto.
  • Faixa de pH de referência Smart Grow:
Sistema pH da solução
Hidroponia e DWC 5,8 a 6,2
Substratos inertes (coco, lã de rocha, argila) 5,8 a 6,2
Substratos complementados 5,8 a 6,2
Substratos orgânicos 6,0 a 6,3
  • Com água de osmose, o pH tende a oscilar mais depois de regulado. Uma fonte de sílica com efeito tampão, como o Super Shell, e bases formuladas para trabalhar juntas ajudam a manter a solução estável.
  • Os reguladores Smart PH Up e Smart PH Down são concentrados, para ajustar com pouco produto.

Tanques para vários dias de irrigação

Em operações maiores, o tanque costuma ser preparado para três a cinco dias de irrigação. Alguns cuidados para a solução chegar ao último dia como saiu no primeiro:

  • Tampe o tanque e proteja da luz. Luz na solução favorece algas e microrganismos.
  • Mantenha a solução em movimento (recirculação ou aeração), para evitar estratificação.
  • Mantenha a solução entre 18 e 22 °C. Solução quente perde oxigênio e favorece patógenos na raiz; solução fria reduz a absorção.
  • Meça EC e pH todo dia. Se mudarem muito de um dia para o outro, algo está acontecendo no tanque: evaporação, contaminação ou reação entre produtos.
  • Registre tudo: data, volume, produtos, quantidades, EC e pH da água e da solução final. Sem registro, não existe diagnóstico.

Mistura manual ou dosador?

Em cultivos de grande escala, muitos tanques ainda são feitos à mão, com a dose de cada produto medida em litros. Operações mais maduras costumam migrar para dosadores proporcionais, que injetam cada produto direto na linha de irrigação, e para a automação da irrigação e do clima. Quando a mão de obra pesa no custo, a automação deixa de ser luxo.

Se você usa dosador, prefira produtos livres de sedimentos, que não entopem a linha nem o injetor. O Super Shell, por exemplo, funciona tanto com dosadores mecânicos, como o Dosatron, quanto com sistemas de dosagem eletrônica.

Resumo do passo a passo

  1. Meça EC e pH da água.
  2. Água no tanque, em movimento.
  3. Sílica.
  4. Base A.
  5. Base B (nunca junto com a A concentrada).
  6. Suplementos, um de cada vez.
  7. Meça o EC e confira com o esperado.
  8. Ajuste o pH por último, aos poucos.
  9. Tampe, mantenha em movimento e registre.

Quer aplicar isso no seu cultivo? Conheça o programa completo da Linha Scale e os Programas de Cultivo Smart Grow por substrato. Para ir além do tanque, leia o guia As 12 variáveis que decidem se sua safra vai repetir (ou não).

Onde comprar: nos melhores revendedores Smart Grow (encontre um revendedor) e, em breve, na loja oficial.

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